GINA luta para reduzir internações em 50% até 2015
Os profissionais de saúde de todo o mundo são convidados pela GINA a lutar por uma redução de 50% nas internações por asma em cinco anos.
Como? Melhorando o controle da asma.
É simples assim: Melhorando o controle da asma reduzimos as internações.
O desafio do controle da asma
A GINA (Iniciativa Global contra a Asma) convoca a todos para o desafio de reduzir as internações por asma em 50% até 2015!
O ônus da asma
A asma é um problema de saúde pública mundial e sua prevalência está aumentando¹. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 300 milhões de pessoas tem asma. Globalmente, cerca de 250.000 pessoas morrem prematuramente a cada ano em consequência da asma .
Os pesquisadores não sabem porquê a prevalência da asma está aumentando ou como evitar a doença. No entanto, sabemos que uma intervenção a nível local e nacional pode diminuir o problema da asma, reduzir o sofrimento dos portadores da doença e seus custos sócio-econômicos. Isto exige a adaptação e soluções de acordo com o sistema de saúde e os recursos disponíveis em cada país, um planejamento sistemático e a formação de uma rede de profissionais e serviços comprometidos em implementar as melhores práticas em asma5-8. Esta abordagem tem produzido sucesso em vários países, entre os quais o Brasil, Costa Rica, Finlândia e Polônia .
Por que as hospitalizações são o alvo dessa campanha?
Entre os diversos ônus da asma, as hospitalizações são um dos pontos mais significantivos. A GINA propõe a sua redução nesta campanha por várias razões. Hospitalizações que são frequentes:
- Geralmente indicam falha do tratamento de longo prazo e indicam risco de morte por asma;
- Interferem no trabalho, na escola e em outras atividades, além das preocupações em ter um membro da família no hospital;
- Os encargos financeiros da asma para a família e para a sociedade em geral são muito altos e mensuráveis, embora variem de acordo com as condições socioeconômicas e de saúde;
- A necessidade de hospitalizações significa que o tratamento da asma falhou e precisa ser melhorado.
O mais importante de tudo, porém, é saber que as hospitalizações por asma são frequentemente evitáveis. Com o tratamento adequado, a maioria das pessoas com asma pode alcançar um bom controle de sua doença, ou seja, ter poucos ou nenhum sintoma, nenhuma limitação às suas atividades diárias e um baixo risco de crises de asma. Há diversos medicamentos eficazes para asma, amplamente disponíveis e acessíveis. A maior parte dos atendimentos de emergência por asma pode ser evitada se os pacientes aprenderem a usar a medicação de manutenção e tiverem um plano de ação para exacerbações .
O que é controle da asma?
O controle da asma significa que uma pessoa com asma:
- Não têm (ou tem mínimos) sintomas;
- Não acorda durante a noite devido à asma;
- Não precisa usar (ou usa uma dose mínima) de medicamentos de alívio;
- Tem capacidade de realizar normalmente atividades físicas;
- Tem valores normais (ou próximo ao normal) nos resultados de teste de função pulmonar (FEV1 e PEF);
- Não tem (ou tem muito raras) exacerbações de asma.
Além dessas medidas de controle clínico, os profissionais de saúde também devem prestar atenção ao controle de riscos futuros para o paciente, tais como o declínio acelerado na função pulmonar e os efeitos colaterais do tratamento.
A tabela a seguir, extraída da Estratégia para o Diagnóstico e Manejo da Asma Global – GINA (2009), sintetiza esses conceitos e fornece um esquema de trabalho que os profissionais de saúde podem usar para avaliar o controle da asma em seus pacientes:
Parcialmente controlada
(qualquer indicador
presente em uma semana)
Alguma
Sintomas Noturnos/
despertares
Alguma
Função Pulmonar
(PEF ou FEV1)*
(risco de exacerbações, instabilidade, rápido declínio da função pulmonar e efeitos colaterais dos medicamentos usados)
Como participar do Desafio de Controle da Asma?
Forme um grupo a nível nacional ou local, reúna as partes interessadas, incluindo as autoridades de saúde pública, representantes governamentais, ONGs, sociedades respiratórias e outros para participar do Desafio do Controle da Asma.
Determine a frequência atual de hospitalizações (linha de base). Pesquise o número de internações hospitalares causadas por asma em 2010 e/ou 2011. Use registos nacionais ou locais, ou faça estimativas. Pesquise os dados do modo mais efetivo, como registros públicos, se possível.
Faça um plano. Concentre-se no controle da asma e na prevenção das exacerbações de asma através do diagnóstico, de um adequado controle ambiental e medidas preventivas tais como a farmacoterapia individualizada e a educação dos pacientes asmáticos.
Com ajuda de especialistas locais e líderes de opinião, crie uma rede com um grupo motivado de médicos generalistas, enfermeiros, farmacêuticos e educadores de saúde para informar a todos os profissionais da saúde sobre as melhores práticas (por exemplo, as orientações aplicáveis para o país ou área em questão). Os experts nacionais, com a ajuda de redes locais, podem criar instrumentos para o aconselhamento de pacientes.
Acompanhe os resultados. Faça o acompanhamento das internações causadas pela asma e colete os números anuais para análise posterior. Se possível, comunique-se com economistas da saúde para criar modelos a fim de avaliar os custos da asma. A análise de custo deve incluir, pelo menos, os dias das hospitalizações, mas, se possível, também deve incluir visitas ambulatoriais, medicação, incapacidade e perda de produtividade.
Como a GINA vai ajudar?
- O relatório de Estratégia Global para o Diagnóstico e Manejo de Asma da GINA oferece um programa com base científica para a obtenção, acompanhamento e manutenção do controle da asma;
- Oferecendo dados referentes à frequência de asma no mundo;
- Fornecendo orientações sobre como coletar e analisar de forma padronizada os dados de hospitalizações a nível local e nacional, para se certificar de que todos os participantes estão recolhendo dados comparáveis;
- Em 2011, a GINA irá desenvolver o “Guia de como aplicar as orientações da GINA” e outros instrumentos de orientação, que serão disponibilizados através do website da GINA, www.ginasthma.org. Os participantes também devem consultar as publicações existentes sobre esse tipo de iniciativa que envolve implementação de diretrizes ;
- Mapa de atenção à asma: elaboração de fluxogramas de tratamento individualizados para apresentar as estratégias de controle e um quadro para avaliar a efetividade;
- Elaboração de modelos de iniciativas para implementação de diretrizes para a prevenção e o controle da asma;
- Fornecimento de sugestões de atividades para o Dia Mundial da Asma, com a finalidade de aumentar a consciência do controle da asma nos 5 anos da campanha;
- Em 2015, a GINA vai preparar um relatório sintetizando os trabalhos realizados e seus resultados.
Referências
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2. Bousquet J, Khaltaev N. Global surveillance, prevention and control of Chronic Respiratory Diseases. A comprehensive approach. Global Alliance against Chronic Respiratory Diseases. ISBN 978 92 4 156346 8. World Health Organization, 2007:148.
3. Global strategy for asthma management and prevention. GINA report. http://www.ginasthma.org (Accessed December 2009).
4. Bateman ED, Hurd SS, Barnes PJ, Bousquet J, Drazen JM, FitzGerald M, Gibson P, Ohta K, O’Byrne P, Pedersen SE, Pizzichini E, Sullivan SD, Wenzel SE, Zar HJ. Global strategy for asthma management and prevention: GINA executive summary. Eur Respir J 2008;31:143-78.
5. Kupczyk M, Haahtela T, Cruz AA, Kuna P. Reduction of asthma burden is possible through National Asthma Plans. Allergy 2010; 65:415-19
6. Haahtela T, Tuomisto LE, Pietinalho A, Klaukka T, Erhola M, Kaila M et al. A 10 year asthma programme in Finland: major change for the better. Thorax 2006;61:663–670.
7. Souza-Machado C, Souza-Machado A, Franco R, Ponte EV, Barreto ML, Rodrigues LC, Bousquet J, Cruz AA. Rapid reduction in hospitalisations after an intervention to manage severe asthma. Eur Respir J. 2010 Mar;35(3):515-21.8.
8. Holgate S, Bisgaard H, Bjermer L, Haahtela T, Haughney J, Horne R, McIvor A, Palkonen S, Price DB, Thomas M, Valovirta E, Wahn U. The Brussels Declaration: the need for change in asthma management. Eur Respir J 2008;32:1433-42.
9. Boulet LP, Becker A, Bowie D, et al.. Implementing practice guidelines: a workshop on guidelines dissemination and implementation with a focus on asthma and COPD. Can Respir J 2006;13 Suppl A:5-47.
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2-4
5
3,4
9-11